terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Escritório Verde sustentável é construído no Paraná


O Escritório Verde está sendo construído na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) funcionando como modelo de escritório comercial sustentável.

São cerca de 150m² que utilizam tecnologia de construção a seco em madeira, painéis de madeira pinus tratada, com manta para isolamento térmico em PET reciclado e manta para conforto acústico de pneus reciclados.

A meta é finalizar todo o projeto em dois meses, certificando a obra pelo processo de certificação de construção sustentável AQUA (Alta Qualidade Ambiental), da Fundação Vanzolini, da USP de São Paulo. O Escritório Verde será a primeira edificação a ser certificado no estado do Paraná neste processo.

Quando a construção estiver pronta, será a sede do “Centro Regional de Integração Expertise de Educação para o Desenvolvimento Sustentável – CRIE Curitiba”, um centro aprovado pela UNU – Universidade das Nações Unidas, da ONU. É uma rede de mais de 80 centros no mundo que visam promover a educação para a sustentabilidade. Com agendamento, poderá ser visitado por público interessado em conhecer as tecnologias empregadas e suas vantagens.

A construção possui resíduo praticamente nulo, contando com duas áreas de telhado verde.

Metade da sua energia será fornecida por painéis fotovoltaicos que também poderá alimentar um carro elétrico.

Através da energia térmica que provém de painéis solares, a água será aquecida, além de um sistema de coleta de água da chuva para ser usada na limpeza e nos vasos sanitários.

Outros detalhes do projeto também chamam a atenção, como o controle da qualidade do ar através do resfriamento evaporativo e desumificação, as janelas em esquadrias de madeira com vidros duplos, iluminação com lâmpadas LED, base do piso elevado em plástico reciclado com acabamento em madeira certificada, emprego de madeira plástica nos decks externos e revestimentos internos com painéis de bambu e móveis ecológicos.


Fonte Uol

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Hotel feito de lixo é aberto em Madri


Ambientalistas abriram um hotel todo feito com lixo retirado de praias de países europeus na capital da Espanha, Madri.

O escultor alemão H.A. Schult da Organização Save the Beach usou 12 toneladas de lixo reciclado coletados na Espanha, França, Itália e Bélgica para construir o hotel e chamar atenção sobre a quantidade de desperdícios nas praias europeias.

"Qualquer um que vá à praia pode deixar 3 ou 4 guimbas de cigarro e uma lata de Coca-Cola. Se isso for multiplicado por 47 milhões de espanhóis ou 300 milhões de europeus ou 6,5 milhões de pessoas no mundo, pode-se ver para onde estamos caminhand", afirmou o cofundador da campanha, o espanhol Fernando Godoy.

O Hotel Corona Extra Save the Beach abriu as portas em 19 de janeiro e, segundo a diretoria, os 5 quartos duplos já foram reservados para os 4 dias em que hóspedes serão recebidos.

A turista Virginia Moreno afirmou que, apesar de ser feito com lixo, não se sente qualquer cheiro ou desconforto. "É mais aceitável do que se imagina à primeira vista", disse.

Durante o dia, o hotel é aberto à visitação pública. À noite, recebe os hóspedes que ganharam diárias em sorteios na internet.Entre os hóspedes estão a modelo dinamarquesa Helena Christensen, que passou uma noite no notel, a ambientalista Alexandra Cousteau e a designer de joias Jade Jagger.

A construção feita com lixo coletada na Espanha, Itália, Bélgica e França fica em Madri até o dia 23 de janeiro, durante a duração de uma feira de turismo da cidade.

Fonte: G1

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Animais salvos das enchentes



Este é um relato impressionante sobre o estado dos animais encontrados logo depois das enchentes. Foi escrito logo após a difícil e emocionante tarefa de recolha e atendimento aos animais pelo Fabiano Jacob, juntamente com o pessoal da ONG Estimação e outros voluntários. Estiveram ingressando em locais quase inacessíveis enfrentando muito barro e em cada canto, a emoção de encontrar algum animal extremamente necessitado, com fome, abandonado, machucado e estressado.

Fabiano Jacob, é servidor público, formado em direito, nascido em Ribeirão Preto e atualmente morando no Rio de Janeiro.

Eis aqui seu impressionante relato:

"Chegamos a Teresópolis na sexta-feira por volta das 9h. Nosso ônibus (que não é o melhor dos veículos para resgates, mas que foi guerreiro) quebrou logo na entrada da cidade, mas tivemos a ajuda da Viação Teresópolis que nos colocou no caminho em menos de 40 minutos. Fomos encontrar a Bebete da ONG ESTIMAÇÃO (que aliás eu não conhecia pessoalmente, mas é mais uma dessas figuras maravilhosas da proteção que merecem todo meu respeito e admiração).Fomos logo conhecer o galpão improvisado onde ficariam os animais resgatados. Tivemos algumas idéias e começamos a reunir voluntários. Depois de um rápido almoço, me apresentei ao chefe da Defesa Civil, imediatamente informando nossa missão e dando os contatos.
Partimos para uma das comunidades mais afetadas de Teresópolis. Vocês não imaginam o que é subir um morro, passar por ribanceiras, pontes quase caindo com um ônibus gigantesco de mais de oito toneladas. Mas estamos vivos e tudo deu certo. Então, valeu.
Lá chegando começamos os resgates, contando com a ajuda da população. Casas desabadas, cães vagando com fome e doentes, completamente desnorteados. Pessoas nos pedindo para resgatar e cuidar de seus animais, pois não tinham mais condições.
Foram dezenas de animais resgatados e vou sentir saudades do Leão, do Tiger, da Branquinha, da Neguinha. Rezo para que o mais rápido possível consigam um lar, mesmo que provisório. Cães maravilhosos, meigos e muitos que se entregavam em troca de um afago naquele momento de perda.
Por volta da 18h30min h. já quase sem luz e com a capacidade do ônibus ultrapassada em muito com os animais, tomamos rumo ao galpão. E que felicidade ao chegarmos e vermos dezenas de voluntários, estudantes de Veterinária, Veterinários, dentistas, jovens, senhoras. Todos dispostos a fazer de tudo por aqueles animais. Uma visão emocionante, dentro das muitas que JAMAIS vou me esquecer dessa missão.
Acomodamos os animais, descarregamos os 100 kg de ração doados pela Comissão ao abrigo da Bebete e tentamos coordenar e dar algumas dicas de administração de crise (que espero que a Bebete esteja seguindo).
Partimos com a equipe, na certeza de que a situação estava encaminhada e torcendo MUITO por todos.
Um especial obrigado a um garoto (uns 17 anos) chamado Yuri que, de forma voluntária nos acompanhou durante o trabalho e ainda está auxiliando a Bebete... muito abnegado... um verdadeiro protetor!
Havíamos recebido um chamado, de meu amigo Ricardo Ganem (está aqui no Fb) que é gerente do INEA e estava coordenando os resgates e doações para os desabrigados e vítimas de Itaipava. Como ex funcionário do IBAMA, e atual do INEA, biólogo e amante dos animais, precisava de nossa ajuda para a montagem de estrutura e resgate de animais na região mais afetada de Itaipava.
Nem vou comentar como aquilo está, pois nem as imagens que trouxe traduzem a realidade. Conseguimos resgatar os primeiros 20 animais de lá, montamos a estrutura (com tudo do bom graças ao Ganem) e chegamos ao Rio de Janeiro por volta das 20h.
Então, tenham a certeza de que Teresópolis e Itaipava estão muito bem amparados no que se relaciona aos animais nessa crise.
Particularmente Teresópolis precisa de doações e estarei colocando no tópico a seguir como fazê-lo. Doação de TUDO principalmente de voluntários, remédios e produtos de limpeza.
Já em Itaipava, graças ao Ganem (competente até debaixo d água) as necessidades não são tão grandes, mas voluntários são bem vindos!"


Relato e fotos: Fabiano Jacob, Leonardo Bezerra













O preço por não escutar a natureza

O cataclisma ambiental, social e humano qe se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que distribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.

A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que aí viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais frequentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

Namastê Shalom


Fonte: Leonardo Boff

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dilma lança Sistema Nacional de Prevenção de Desastres


Para evitar novas tragédias como as que atingem a região serrana do Rio de Janeiro e outras áreas do País todos os anos, o governo federal anunciou, nesta segunda-feira, o lançamento do Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais. O anúncio foi feito após reunião entre a presidente Dilma Rousseff e os ministros da Defesa, Nelson Jobim, de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra.

A expectativa do governo federal é de que o sistema esteja em pleno funcionamento dentro de quatro anos. "Mas já esperamos respostas para o próximo verão. Vamos implantar pelo menos nas áreas mais críticas", afirmou o ministro de Ciência e Tecnologia.

Segundo Mercadante, o sistema de alerta vai prevenir os desastres naturais mais comuns no Brasil, que são deslizamentos de terra, inundações, ressacas, secas e vendavais. Um novo supercomputador foi adquirido, com capacidade para escanear o território nacional a cada 5 km², quando antes esse mapeamento era feito a cada 20 km². "Isso vai esquadrinhar o Brasil em regiões menores e nos dará uma previsão mais precisa", disse Mercadante. O sistema terá uma sede nacional e outras cinco distribuídas entre as regiões brasileiras.

"Para aprimorar a capacidade de previsão do tempo, vamos implantar novos radares meteorológicos e integrar todos os disponíveis, inclusive os da Aeronáutica, num só sistema. A previsão por satélite dá uma estimativa boa para três dias antes, quanto mais próximo, mais seguro. Mas os radares captam a chuva que está efetivamente ocorrendo, o que nos avisa sobre o encharcamento do solo", afirmou o ministro de Ciência e Tecnologia.

Além dos radares, 700 pluviômetros (equipamentos que captam o volume de chuva) serão adquiridos pelo governo federal - o que ainda depende do Ministério do Planejamento para determinar o ritmo de compra dos equipamentos. A intenção é fazer o levantamento das condições de solo e geografia do País. "Estimamos em aproximadamente 500 áreas de risco no País, com cerca de 5 milhões de pessoas morando nessas áreas, e temos outras 300 regiões sujeitas a inundações", disse Mercadante. O sistema será coordenado pelo ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Carlos Nobre, que ficou à frente do órgão por 12 anos.

O ministro da Integração Nacional afirmou que Dilma determinou o retorno de alguns titulares para acompanhar a situação no Rio de Janeiro. "Voltaremos eu (Fernando Bezerra), o ministro da Justiça e o ministro da Defesa já amanhã. Vamos visitar as cidades atingidas para que possamos reforçar nossas ações e iniciar o monitoramento mais próximo das áreas ainda sujeitas a riscos, para evitar a perda de novas vidas", declarou.

Fonte: Terra.

Você pode ajudar os animais no RJ


Contribua para mudar esse triste cenário. Os animais necessitam de seu auxílio.

Participe ajudando os animais vítimas das enchentes. >>

Com a tragédia que assolou a Região Serrana do Rio (Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis), nos últimos dias, e o estado de calamidade na região, a WSPA divulga uma campanha de doação e faz um apelo aos que desejam colaborar no auxílio aos animais, atingidos pelas fortes chuvas que castigaram o local.

Há 2 formas de prestar ajuda neste momento: em dinheiro ou em forma de produto, doando ração e medicamentos veterinários para os animais.

As doações em dinheiro podem ser feitas por depósito em nome de:


Defensores dos Animais

CNPJ: 04.363.242/0001-09

Banco Bradesco

Agência: 279-8

Conta-poupança: 172813-0


Apenas essa conta é a oficial, coordenada pela WSPA. Todos os recursos serão empregados na prestação de socorro e prevenção de doenças em prol do bem-estar dos animais.

Caso você queira doar alimento (ração para cães e gatos) e medicamentos veterinários, segue os endereços para entrega na própria região atingida.

GAPA - Grupo de Assistência e Proteção aos Animais Itaipava
Telefone: (24) 2222-8419

Clínica Bicharada
Estrada União Indústria, 10661, Itaipava/ Petrópolis (RJ) – CEP: 25750-225

ONG Combina (Companhia dos Bichos e da Natureza)
Rua José Eugênio Muller, 36, Centro – CEP: 28610-010 – Friburgo – Rio de Janeiro

Armazém do Gemmal
Estrada União e Indústria, 10.733, Itaipava – CEP: 25750-225
Tel: (24) 2222.0298


A WSPA também fez contato com alguns parceiros para apoio à campanha. O Laboratório Merial doará um lote de vacinas para prevenção da Raiva e Leptospirose, as quais serão encaminhadas para uma clínica veterinária parceira na região de Itaipava. A Pedigree confirmou a doação de 1 (uma) tonelada de ração para cães e gatos.

A WSPA coordena essa ação em apoio aos animais, junto às seguintes ONGs afiladas: a Defensores dos Animais (Rio de Janeiro), o GAPA (Itaipava) e a AnimaVida (Petrópolis), a Combina (Nova Friburgo) e SOS Animal (Teresópolis), que estão se mobilizando regionalmente, visando minimizar o sofrimento dos animais.

No dia 17/01, 2 especialistas da WSPA internacional chegam ao Rio para visitar o local. A instituição permanece em contato com os parceiros e está realizando um levantamento dos animais afetados para que possam ser socorridos, alimentados e tratados.

A área afetada reúne muitas espécies em abrigos, haras, sítios, além de centenas de animais abandonados nas ruas, cenário agravado pela situação atual das famílias desabrigadas.

Não permita que os animais fiquem desamparados.




Fonte: WSPA Brasil - www.wspabrasil.org

Ambientalista diz que tragédia é resultado do desrespeito à Mata Atlântica

Tragédias como a que ocorreu nas cidades serranas do Rio de Janeiro são nada mais que o resultado do processo de ocupação da Mata Atlântica. A afirmação é da escritora e ambientalista Anne Raquel Sampaio, que mora no Parque do Imbuí, um dos bairros mais afetados pela catástrofe em Teresópolis.

“Nós não estamos aqui simplesmente sobre o solo de Teresópolis, e sim sobre o solo da Mata Atlântica, um bioma que precisa ser mais respeitado”, diz a escritora. Como muitos cariocas, ela se mudou há 25 anos para a cidade serrana fugindo da violência urbana do Rio e em busca de paz e de contato com o verde.

Com o passar dos anos, além da favelização, houve uma ocupação maior das margens dos rios, com uma grande devastação da mata ciliar. Anne Raquel, que faz pesquisas sobre a água, alerta para o problema da falta de esgotos na cidade. “Como a maior parte das cidades brasileiras, Teresópolis foi construída às margens de um rio, o Paquequer, hoje um grande esgoto atravessando a cidade. Esse rio às vezes fede, mas a população faz de conta que esse fedor não existe.”

Segundo a ambientalista, a tragédia atual mostra que o risco da ocupação irregular é o mesmo para os pobres e os ricos, já que condomínios de alto luxo e de classe média também foram igualmente atingidos. Ela chama a atenção para o fato de que a propaganda imobiliária desses condomínios não corresponde à realidade.

“Você não pode construir uma mansão sobre uma encosta que é linda, e dizer que aquilo ali é ecológico só porque algumas árvores foram preservadas. Na verdade, aquela área não deveria ser ocupada, nem por mansão nem por ninguém. As pessoas que constroem essas casas sonham com um mundo melhor para elas, mas não param para analisar que esse mundo melhor precisa, antes de tudo, que a gente respeite a natureza.”

É preciso reconstruir a cidade, partindo do princípio de que ela está sobre o solo da Mata Atlântica, que tem características próprias e é responsável pelo abastecimento de água de mais de 80% da população brasileira, diz a ambientalista. “A água precisa caminhar, chegar ao mar. Se agente constrói em cima do caminho da água, ela vai achar esse caminho de uma forma ou de outra.”

Emocionada com tragédia que presenciou, Anne Raquel acha que a solução não pode ser apenas técnica: “a questão ambiental só vai ser resolvida quando a gente olhar tudo isso com o coração, pensar em como impedir que as crianças morram, porque usamos recursos públicos para tudo, menos para cuidar da natureza.”

Fonte: Paulo Virgilio/ Agência Brasil